“Então é Natal
e o que você fez, o ano termina e nasce outra vez”.
Este trecho de música me faz lembrar o
comentário propício do poeta Drummond a respeito
da sábia divisão do tempo em anos, meses, semanas,
dias. Segundo ele, foi uma forma generosa de nos dar fôlego.
Temos sempre planos que pretendemos implantar no próximo
ano, tarefas que deixamos para o dia seguinte e por aí
vai, sem nos lembrarmos do famoso ditado que diz que “vida
é aquilo que acontece enquanto estamos ocupados fazendo
planos”.
E assim, influenciados por esses princípios,
somos inclinados a sentir e pensar coisas típicas dessa
época de final de ano: sentimentos de angústia,
de lamento pelo que deixamos de fazer, de tempo perdido, mesclados
com promessas e esperanças de futuras realizações,
de melhores tempos, de sonhadas conquistas, enfim tempo de
reflexão.
O que predomina neste turbilhão de idéias,
depende de nós, do que queiramos ressaltar e valorizar.
Depende da ótica com que vemos o entorno e dos sentimentos
que queiramos cultivar.
Somos inundados diariamente por notícias
e fatos que, por si só, facilmente nos conduzem ao
pessimismo, à derrota, à perda de forças
e credibilidade, no outro, nos governantes, nas regras, no
ambiente, no contexto geral. É desanimador assistir
ao Jornal Nacional, ler os destaques de primeira página
dos principais periódicos. As conversas de vizinhos
e dos corredores multiplicam notícias de tragédias
e fatos desagradáveis que aconteceram com amigos e
conhecidos. As regras do jogo sempre incomodam, quer quando
infringidas por bandidos e polícias que teoricamente
deveriam ser nossos defensores, quer pelos nossos governantes
que insistem em privilegiar interesses pessoais e de grupos
patrocinadores , em detrimento do povo que os elegeu, a quem
deveriam honestamente representar, e também a quem
se deve uma significativa parte da manutenção
de todas essas ingerências.
Se quisermos e permitirmos, não faltarão
motivos para desalentos e lamentações. Essa
opção é nossa. A vida é baseada
em escolhas e na arte de bancá-las. Eu, pessoalmente,
prefiro optar por privilegiar o lado bom das coisas, o otimismo,
o entusiasmo, os grandes feitos e conquistas dos homens, cada
vez mais criativos, engenhosos e surpreendentes.
O talento e o potencial dos seres humanos sempre
me encantaram. Alegro-me quando usados para o bem. Deleito-me
com a criatividade dos anúncios de TV e outdoors, com
as facilidades advindas da Internet, permitindo que, em pouco
tempo, um acontecimento destaque do momento, se transforme
numa piada ou charge, ressaltando o lado humorístico
e espalhando-se na velocidade da luz, por todo o mundo.
Luto para, através de meus trabalhos,
assessorar as empresas no sentido de aproveitar melhor todo
seu potencial criativo e inovador, em detrimento das perdas
de energia que ainda se vislumbram no universo organizacional
pela luta de poder, inveja e falta de espírito de equipe.
Acredito que investindo nas lideranças
possamos criar uma cultura organizacional que dissemine o
bem estar de todos, com cada um conseguindo e aproveitando
seu espaço pessoal, tendo seu talento reconhecido e
aplicado em prol da busca de mais qualidade de vida para todos.
Alguns entendem este olhar como ingênuo
e purista, como alguém que quer negar a realidade e
vive no mundo de Alice. Também é uma opção
e como tal a respeito, mas gosto de, todos os dias, agradecer
e comemorar. Celebrar a vida, as possibilidades, as oportunidades,
a proteção e o apoio divino. Sou física
e mentalmente perfeita, posso curtir os cinco sentidos e a
plenitude das belezas e prazeres que eles nos proporcionam.
Tenho uma família sadia e unida, calcada em princípios
de amor e respeito a si e ao próximo. Que mais posso
querer, se não desejar a todos um eterno renascer de
vontades e esperanças?
Na verdade este meu jeito de olhar, é
calcado exatamente na intenção e na esperança
(acho que muito mais na esperança) de poder contagiar
aos que me rodeiam, certa de que seu efeito multiplicador
é a única e certamente a mais poderosa arma
que temos para contribuir com nossa fatia para um mundo melhor.
Se cada um fizer seu pedaço, vai ser muito mais fácil.
Espero você assim, no ano que vem, ou mesmo
amanhã. |