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E, o que mais me empolga, mobiliza e arrepia é que todas essas ações e estratégias são dependentes e resultantes do nosso bem maior: o SER HUMANO.

EquiPenta Brasil

São 10:22h do dia 30/06/02, o Brasil acaba de ganhar o Penta. Depois de me debulhar em lágrimas, de alegria, felicidade e orgulho, ao som da explosão de muitos fogos, gritos, buzinaços, enfim todo o tipo de comemoração a que temos direito, ânsia, necessidade de desabafar, de botar para fora essa carência que temos como povo, de ter um motivo válido e justo para se unir debaixo de uma mesma bandeira, literalmente como fizeram nossos jogadores, invadiu-me uma vontade enorme de escrever, a fim de registrar a avalanche de sentimentos e pensamentos que tomou conta de meu corpo, mente e alma.

Como mulher, um tanto ou quanto leiga no tema, usufruo da vantagem de não ser exigente do ponto de vista técnico, não ter paradigmas, nem grandes marcos registrados e me permito avançar na avaliação ingênua, flexível e desprovida da vontade de acertar.

Pelos motivos apontados e outros resultantes desses, pude desfrutar do espetáculo demonstrado pela nossa seleção, de trabalho de equipe, visão, planejamento, construtivismo, liderança, confiança, melhoria contínua e tantos outros ensinamentos que insistimos em convencer as organizações, que querem dar certo e durar, a implantar.

E, o que mais me empolga, mobiliza e arrepia é que todas essas ações e estratégias são dependentes e resultantes do nosso bem maior: o SER HUMANO.

Nossa bagagem rumo à Copa levava: um time que saiu do Brasil desacreditado por ter partidas nada convincentes na etapa de classificação; uma defesa com a qual segundo a crítica especializada, não se podia contar; nosso melhor atacante em observação, dada a enorme intervenção cirúrgica e longa recuperação a que fora submetido; um técnico que teve que ser firme e decidido para definir e manter a equipe de sua escolha contra tudo e contra todos, o que nos dias atuais não é nada fácil, dada a força da máquina capitalista e desejo de marketing pessoal.

Hoje, o que pôde ser visto, segundo a contabilização dos comentaristas, é uma equipe que teve sete vitórias em sete partidas, o artilheiro da Copa com oito gols, já se equiparando ao famoso Pelé, também brasileiro, uma defesa com garra e desempenho impecável nas horas críticas, um significativo número de representantes no eleito “time da Copa” pelos experts no assunto.

Cabe neste momento, no mínimo, a seguinte reflexão: O que está por trás de tudo isso? Quais são os ingredientes para o sucesso desta receita? Qual o segredo? O que nos levou a virar o jogo com tamanha maestria?

É claro que, como tudo nos dias atuais onde os problemas e conseqüentes soluções são multifacetados e multidisciplinares, este resultado jamais poderá ser atribuído a um só fator. O conjunto de fatores que nos levaram a esta vitória é, com certeza, digno de ser analisado, observado, copiado e expandido. E, é claro que em todos eles, o protagonista é o SER HUMANO.

O SER HUMANO, na figura do líder que soube compor a equipe, identificando a liderança de cada um e colocando o homem certo no lugar certo, sem perder a flexibilidade de reposicioná-lo a cada nova necessidade, explorando o que ele fazia de melhor.

O líder que conquistou a confiança do grupo e o tornou confiante, envolvendo, cativando, reforçando a auto-estima, incentivando, elogiando, reconhecendo desempenhos, sem deixar de ser firme e enérgico quando o momento requeria.

O líder que cultivou um ambiente propício para que esses talentos desabrochassem, amenizando influências de variáveis externas com interesses outros que não o de sua principal missão.

O líder, que por mais que quisesse e soubesse fazer, tinha que delegar e acreditar no potencial de cada um. Por mais que almejasse estar no lugar deles, nos momentos decisivos, só podia contar com a efetivação de seu maior intento: ter transformado cada um em líder, poder intitular-se líder de líderes.

O SER HUMANO na figura das equipes que ficam por trás dos bastidores: preparadores físicos, médicos, massagistas, roupeiros e cozinheiros, cada um desempenhando seu papel da melhor forma, visando contribuir para o todo.

O SER HUMANO na figura do juiz e bandeirinhas, escolhidos criteriosamente a fim de fazer prevalecer a técnica e garantir a certeza da imparcialidade e do cumprimento das regras, apesar das fragilidades da natureza humana e complexidade da função.

O SER HUMANO, na figura suprema do “chão-de-fábrica”, daquele que faz acontecer, nas mãos (ou melhor, neste caso, nos pés) de quem se concretiza todo o trabalho dos demais apontados até aqui: os jogadores, o time, a seleção, a equipe.

Através deles se pôde ver a garra mantida do início ao final da partida , ver o esforço individual de cada um cumprindo seu papel e a visão de grupo, estratégica, culminada pela humildade do não-toque do Rivaldo para deixar a bola numa melhor posição para Ronaldo. A visão da floresta ao invés de olhar só as árvores que certamente foi incutida pela cultura implementada a partir do exemplo e discurso do líder. Exemplo de decisão, definição, confiança e certeza da escolha. Discurso que certamente passou coerência em cada reunião, análise dos adversários, conselhos individuais e outras medidas que conduziram a essa vitória.

Cabe destacar também o exemplo do jogador Ronaldo que venceu uma batalha pessoal que a vida ofereceu-lhe, demonstrando a todos que é preciso perseverar no alcance de uma meta, querer com a cabeça e com o coração e mais do que isto, acreditar sempre, haja o que houver e desenvolver “a arte de sorrir, cada vez que o mundo diz não” como nos ensinou o poeta.

O SER HUMANO, na figura da torcida de milhões de brasileiros, cuja esperança vimos crescendo paulatinamente, ritmo este ditado mais pelos fatos do que pela vontade que queria explodir, a cada vitória. Uma torcida que também se organizou e foi ganhando volume e voz, teatralizada, representando cada região brasileira e, que também com garra, acreditou incentivou e se uniu para fazer ecoar pelo país o grito do Penta.

Resta-nos agora, repetir a dose de liderança, equipe e brasilidade no momento supremo que teremos, ainda este ano, o das eleições.

Que o povo eleja com sabedoria e dignidade seu principal governante e que ele tenha a postura de um verdadeiro líder, com coerência de discurso e exemplo. Se assim for, podemos garantir a construção de um país do qual nos orgulharemos.

No que se refere à equipe, já demonstramos, através de um pequeno grupo e uma circunstância, que se tivermos um dirigente que saiba aproveitar o talento, criatividade, flexibilidade, jeitinho de ser único de nossa nação, características essas tão requeridas pelas atuais exigências de um mundo em mudanças rápidas e contínuas, é certo de que teremos um país campeão também do ponto de vista econômico, político e social.

Tenho dito! Saudações Pentacampeãs!

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