O Dia Internacional da Mulher comemora
uma conquista de fundamental importância para a humanidade,
através da mudança de posicionamento da mulher
na sociedade.
Sem dúvida, é gratificante acompanhar
a evolução da mulher, nos mais distintos cenários,
modificando os modelos de vida femininos, ajustando-se e adaptando-se
às novas exigências, exercitando sua flexibilidade
e capacidade de moldar-se, a partir de predicados que, às
vezes, nem mesmo seriam capazes de imaginar tê-los.
Porém, tudo na vida tem um preço
e o ser humano se distingue basicamente dos demais animais,
pela sua capacidade de escolha. Escolhas essas que determinam
os novos rumos de sua vida e são responsáveis
por muitas histórias de sucesso ou fracasso.
O período de dependência da mulher,
no qual o homem provedor saía para o trabalho enquanto
a mulher cuidava do lar e dos filhos, foi delineado pela formação
de uma família cartesiana, onde os papéis eram
bastante bem definidos e poucas opções de diferentes
padrões eram aceitas. A inteligência da mulher
era desconsiderada, sua capacidade de amar e ter prazer dependiam
da vontade do parceiro, que desconhecia essa sua necessidade
e portanto nenhuma atenção dava a ela.
O advento das guerras e da revolução
industrial abriu espaço para que as mulheres se lançassem
no mercado de trabalho, garantindo o sustento dos lares ou
ajudando no orçamento familiar, descobrindo desta forma,
seu potencial, até ali sufocado, e diminuindo a lacuna
de distinção e aplicabilidade entre os sexos.
As conquistas foram ficando cada vez mais significativas
e as feministas chegaram a queimar sutiãs em praça
pública, para evidenciar o desejo de provar superioridade
feminina, clamando por alterar a posição da
balança que, historicamente, pendia para o lado masculino.
Os espaços das mulheres foram aumentando,
sua independência gradativamente alcançada mas,
em contrapartida, surgiu o desconforto natural, gerado pela
mudança nos seres humanos, na medida em que percebia
que o preço a ser pago seria muito alto.
Como qualquer relação é
sempre uma via de mão-dupla, os homens não assistiram
à (r)evolução feminina impassivos. Num
primeiro momento, eles ficaram atônitos, questionando-se
sobre sua postura frente a esta nova mulher e adotaram posições
de medo, inseguranças, inércia, apatia, desconfiança,
enfim, total indefinição.
Com certeza, não era com isso que elas
contavam. As primeiras mulheres que assumiram postos, antes
considerados masculinos, tenderam a imitar suas condutas,
perdendo sua feminilidade e as qualidades advindas do seu
próprio modo de ser.
O tratamento de igual para igual fez esmorecer
o encanto do romantismo, da proteção masculina,
do homem forte e provedor. Por outro lado, a nova postura
da mulher determinada, capaz, tomadora de decisões
fez com que os homens as evitassem ou recuassem e assumissem
uma posição cômoda de delegar decisões
e a responsabilidade por suas conseqüências.
Sabe-se de qualquer forma que, ainda hoje, apesar
de todas as evoluções, conquistas e patamares
galgados, as minorias, considerando-se as mulheres como um
dos grupos, têm salários menores, menos oportunidades,
mais dificuldades de ver suas idéias aceitas e implantadas,
enfim... ainda há um longo caminho a trilhar.
Mas esse muito a percorrer será em busca
do quê?
Essa é a grande pergunta. Será
que elas estão satisfeitas com essa trajetória
ou acreditam que algo deva ser feito para mudar a forma do
processo, embora se mantenham os mesmos objetivos?
Mulheres, hoje, principalmente as bonitas e inteligentes,
reclamam de solidão, almejam casar ou ter um companheiro
atencioso, presente, delicado, sensível... Os homens
temem aproximar-se ou as vêem como objetos descartáveis,
alegando dificuldade em entendê-las, mas no fundo sabemos
que esta atitude pode ser traduzida por medo de não
dar conta.
Mulheres e homens são precisos da forma
como são. O mundo não foi constituído
de pares por acaso. Essa essencialidade de contraponto, de
positivo e negativo, verso e anverso, côncavo e convexo
...sempre existiu e existirá.
Nossa busca há de ser por conseguir esse
equilíbrio. Por conseguir que cada um desempenhe sua
missão, aqui na terra, sempre de forma a contribuir
para um mundo melhor. Nossa busca deve ser no sentido de identificar
o que há de melhor em cada ser humano e possibilitar
que esse potencial desabroche e se espalhe, encantando por
onde passa, contribuindo para melhoria do ambiente e da vida
dos que o cercam, cumprindo seu papel, independentemente de
sexo, de rótulos, de paradigmas estereotipados por
uma sociedade construída em cima de desejos ilusórios,
criados pela mídia, de receitas de felicidade padronizadas,
de biotipos estigmatizados como perfeitos, fazendo com que
tudo e todos que não se moldem a esses ditames sintam-se
desvalorizados, desmerecidos, com baixa de auto-estima e conseqüente
perda na capacidade de realização.
As próprias mulheres, educadoras e formadoras
de opinião, têm contribuído para alimentar
alguns desses parâmetros, na medida em que reforçam
crenças e valores errôneos, como: homem não
chora, homem é razão e mulher emoção,
homem não é sensível, não guarda
datas importantes...
Quem de nós não conhece uma série
de exemplos que diferem dessas afirmativas? Quem de nós
não conhece várias mulheres que não são
emotivas, sensíveis, doces? Nenhuma afirmativa é
totalmente verdadeira quando se trata de seres humanos. Por
que então criar rótulos, fomentando distanciamentos,
incentivando divergências, quando são as convergências
que somam e enriquecem?
Vamos lutar por uma sociedade equilibrada, onde
homens e mulheres convivam da forma que melhor lhes convier.
Onde juntos e agora interdependentes, reconheçam o
quanto é prazeroso poder dar e receber sem culpa, sem
cobranças. Incondicionalmente!
Como disse John Lennon: “Eu estive em todos
os lugares e só me encontrei em mim mesmo” .
Que cada um de nós se encontre, e que na sintonia de
“bem-resolvido” encontre o outro, que lhe complemente,
enriqueça e possibilite crescer, respeitando cada um,
sua individualidade, aceitando as pessoas do jeito que elas
são, exercitando a todo momento a fluidez da comunicação,
o saber ouvir, o feedback e a empatia para, de maneira harmônica,
contagiar o mundo com a felicidade que todos sonhamos alcançar
e a esperança de um amanhã cada vez melhor,
cada vez mais solidário e não solitário,
de cooperação e não de disputas. |