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Vamos lutar por uma sociedade equilibrada, onde homens e mulheres convivam da forma que melhor lhes convier. Onde juntos e agora interdependentes, reconheçam o quanto é prazeroso poder dar e receber sem culpa, sem cobranças. Incondicionalmente!

Mulheres: de Amélia à Erasmo Carlos

O Dia Internacional da Mulher comemora uma conquista de fundamental importância para a humanidade, através da mudança de posicionamento da mulher na sociedade.

Sem dúvida, é gratificante acompanhar a evolução da mulher, nos mais distintos cenários, modificando os modelos de vida femininos, ajustando-se e adaptando-se às novas exigências, exercitando sua flexibilidade e capacidade de moldar-se, a partir de predicados que, às vezes, nem mesmo seriam capazes de imaginar tê-los.

Porém, tudo na vida tem um preço e o ser humano se distingue basicamente dos demais animais, pela sua capacidade de escolha. Escolhas essas que determinam os novos rumos de sua vida e são responsáveis por muitas histórias de sucesso ou fracasso.

O período de dependência da mulher, no qual o homem provedor saía para o trabalho enquanto a mulher cuidava do lar e dos filhos, foi delineado pela formação de uma família cartesiana, onde os papéis eram bastante bem definidos e poucas opções de diferentes padrões eram aceitas. A inteligência da mulher era desconsiderada, sua capacidade de amar e ter prazer dependiam da vontade do parceiro, que desconhecia essa sua necessidade e portanto nenhuma atenção dava a ela.

O advento das guerras e da revolução industrial abriu espaço para que as mulheres se lançassem no mercado de trabalho, garantindo o sustento dos lares ou ajudando no orçamento familiar, descobrindo desta forma, seu potencial, até ali sufocado, e diminuindo a lacuna de distinção e aplicabilidade entre os sexos.

As conquistas foram ficando cada vez mais significativas e as feministas chegaram a queimar sutiãs em praça pública, para evidenciar o desejo de provar superioridade feminina, clamando por alterar a posição da balança que, historicamente, pendia para o lado masculino.

Os espaços das mulheres foram aumentando, sua independência gradativamente alcançada mas, em contrapartida, surgiu o desconforto natural, gerado pela mudança nos seres humanos, na medida em que percebia que o preço a ser pago seria muito alto.

Como qualquer relação é sempre uma via de mão-dupla, os homens não assistiram à (r)evolução feminina impassivos. Num primeiro momento, eles ficaram atônitos, questionando-se sobre sua postura frente a esta nova mulher e adotaram posições de medo, inseguranças, inércia, apatia, desconfiança, enfim, total indefinição.

Com certeza, não era com isso que elas contavam. As primeiras mulheres que assumiram postos, antes considerados masculinos, tenderam a imitar suas condutas, perdendo sua feminilidade e as qualidades advindas do seu próprio modo de ser.

O tratamento de igual para igual fez esmorecer o encanto do romantismo, da proteção masculina, do homem forte e provedor. Por outro lado, a nova postura da mulher determinada, capaz, tomadora de decisões fez com que os homens as evitassem ou recuassem e assumissem uma posição cômoda de delegar decisões e a responsabilidade por suas conseqüências.

Sabe-se de qualquer forma que, ainda hoje, apesar de todas as evoluções, conquistas e patamares galgados, as minorias, considerando-se as mulheres como um dos grupos, têm salários menores, menos oportunidades, mais dificuldades de ver suas idéias aceitas e implantadas, enfim... ainda há um longo caminho a trilhar.

Mas esse muito a percorrer será em busca do quê?

Essa é a grande pergunta. Será que elas estão satisfeitas com essa trajetória ou acreditam que algo deva ser feito para mudar a forma do processo, embora se mantenham os mesmos objetivos?

Mulheres, hoje, principalmente as bonitas e inteligentes, reclamam de solidão, almejam casar ou ter um companheiro atencioso, presente, delicado, sensível... Os homens temem aproximar-se ou as vêem como objetos descartáveis, alegando dificuldade em entendê-las, mas no fundo sabemos que esta atitude pode ser traduzida por medo de não dar conta.

Mulheres e homens são precisos da forma como são. O mundo não foi constituído de pares por acaso. Essa essencialidade de contraponto, de positivo e negativo, verso e anverso, côncavo e convexo ...sempre existiu e existirá.

Nossa busca há de ser por conseguir esse equilíbrio. Por conseguir que cada um desempenhe sua missão, aqui na terra, sempre de forma a contribuir para um mundo melhor. Nossa busca deve ser no sentido de identificar o que há de melhor em cada ser humano e possibilitar que esse potencial desabroche e se espalhe, encantando por onde passa, contribuindo para melhoria do ambiente e da vida dos que o cercam, cumprindo seu papel, independentemente de sexo, de rótulos, de paradigmas estereotipados por uma sociedade construída em cima de desejos ilusórios, criados pela mídia, de receitas de felicidade padronizadas, de biotipos estigmatizados como perfeitos, fazendo com que tudo e todos que não se moldem a esses ditames sintam-se desvalorizados, desmerecidos, com baixa de auto-estima e conseqüente perda na capacidade de realização.

As próprias mulheres, educadoras e formadoras de opinião, têm contribuído para alimentar alguns desses parâmetros, na medida em que reforçam crenças e valores errôneos, como: homem não chora, homem é razão e mulher emoção, homem não é sensível, não guarda datas importantes...

Quem de nós não conhece uma série de exemplos que diferem dessas afirmativas? Quem de nós não conhece várias mulheres que não são emotivas, sensíveis, doces? Nenhuma afirmativa é totalmente verdadeira quando se trata de seres humanos. Por que então criar rótulos, fomentando distanciamentos, incentivando divergências, quando são as convergências que somam e enriquecem?

Vamos lutar por uma sociedade equilibrada, onde homens e mulheres convivam da forma que melhor lhes convier. Onde juntos e agora interdependentes, reconheçam o quanto é prazeroso poder dar e receber sem culpa, sem cobranças. Incondicionalmente!

Como disse John Lennon: “Eu estive em todos os lugares e só me encontrei em mim mesmo” . Que cada um de nós se encontre, e que na sintonia de “bem-resolvido” encontre o outro, que lhe complemente, enriqueça e possibilite crescer, respeitando cada um, sua individualidade, aceitando as pessoas do jeito que elas são, exercitando a todo momento a fluidez da comunicação, o saber ouvir, o feedback e a empatia para, de maneira harmônica, contagiar o mundo com a felicidade que todos sonhamos alcançar e a esperança de um amanhã cada vez melhor, cada vez mais solidário e não solitário, de cooperação e não de disputas.

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